As células estaminais são células que se podem diferenciar em diversas linhagens celulares tendo a capacidade de se autorrenovar e de se dividir indefinidamente. Podem ser classificadas, de acordo com a sua origem ou a sua capacidade de diferenciação, em dois tipos principais: embrionárias e não embrionárias.

As células estaminais não embrionárias, também conhecidas como células estaminais adultas, encontram-se em muitos tecidos do organismo adulto sendo, regra geral, multipotentes.

É possível isolar células estaminais multipotentes a partir de tecidos como a medula óssea, o sangue periférico ou o tecido adiposo, bem como a partir da pele, do fígado, do pâncreas, da polpa dentária ou de outros órgãos ou tecidos. Alguns tecidos neonatais como a placenta, a geleia de Whärton do cordão umbilical ou o sangue do cordão umbilical, contêm populações de células estaminais adultas com um elevado potencial proliferativo e até mesmo características pluripotentes.

Crioperservação ao alcance de todos

Recentemente o isolamento de células estaminais mesenquimatosas, consideradas células estaminais multipotentes, da polpa dentária de dentes definitivos (DPSCs), abriu o leque de opções para aqueles adultos que não tiveram oportunidade de criopreservar o sangue e o tecido do cordão umbilical.

Esta capacidade de se diferenciarem em vários tipos de células, podendo substituir células lesadas ou destruídas e regenerar tecidos danificados, explica o grande interesse na utilização das células estaminais no contexto das Terapias Celulares e da Medicina Regenerativa.

Mais recentemente o efeito terapêutico das células estaminais e em especial as células estaminais mesenquimatosas deve-se à capacidade de produção de fatores de crescimentos e mediadores inflamatórios que medeiam a inflamação promovendo e melhorando o processo regenerativo celular e dos tecidos / órgãos. Aos fatores de crescimento produzidos pelas células estaminais mesenquimatosas chama-se secretoma.

Células estaminais da polpa dentária 1

O que é a polpa dentária?

A polpa dentária é o tecido vivo que se encontra no interior de um dente de leite (nas crianças) ou de um dente definitivo (nos adultos).

Coberta pela dentina, a polpa é um tecido que se estende da dentina até a raiz do dente e é composto por nervos e vasos sanguíneos, além de células do tecido conjuntivo e fibras e recentemente sabe-se que contém as DPSCs. A polpa dentária é a responsável pela vitalidade dos dentes. Os dois tecidos (polpa e dentina), formam uma unidade chamada de complexo dentino-pulpar. Durante a vida do ser humano, a polpa dentária mantém a sua viabilidade, desde que o dente não apresente patologia.

A polpa dentária é dividida em polpa coronária e radicular. O espaço ocupado pela polpa torna-se menor ao longo do tempo devido à constante produção de dentina. As funções da polpa são as seguintes:

  • Função Formativa: nesta região há dentinogénese, que são os odontoblastos que formam a dentina;
  • Função nutritiva: fornece nutrientes essenciais para formação da dentina;
  • Função defensiva: tem a capacidade de reação aos estímulos patológicos;
  • Função sensitiva: transmite estímulos neurais mediados através do esmalte ou da dentina para o centro nervoso;
  • Função reguladora: controla e regula o volume e velocidade do fluxo sanguíneo.
Células estaminais da polpa dentária 2

A polpa dentária dos dentes adultos saudáveis pode ser processada ​​e armazenado para preservação das células estaminais mesenquimatosas ou DPSCs.

A polpa dentária como fonte de células estaminais mesenquimatosas

As células estaminais mesenquimatosas fazem parte de uma rara e valiosíssima população de células progenitoras multipotentes e podem ser isoladas a partir da polpa dentária de dentes de leite ou decíduos e de dentes definitivos.

Até ao momento foram já identificados e isolados 7 tipos de células estaminais dentárias, em humanos: (1) as células estaminais mesenquimatosas da polpa dentária de dentes definitivos (DPSCs); (2) as células estaminais da polpa dentária de dentes de leite (SHED); (3) as células estaminais do ligamento periodontal (PDLSCs); (4) as células estaminais da papila apical (SCAP); (5) as células progenitoras do folículo dentário; (6) Células estaminais mesenquimatosas derivadas do alvéolo dentário (ABMSCs); e (7) Células progenitoras derivadas do saco germinativo do dente (TGPCs).

A Biosckin – serviço CRIODENTE faz o armazenamento da polpa dentária do dente definitivo para posterior isolamento das DPSCs.

Apesar do cordão umbilical ser a melhor fonte de células estaminais mesenquimatosas, a criopreservação da polpa dentária dos dentes definitivos, proporciona uma oportunidade de armazenar estas preciosas células – DPSCs, daqueles adultos que não têm criopreservado o sangue e o tecido do sangue do cordão umbilical, que deverá ser colhido num momento único – o parto.

Potencial terapêutico comprovado

Recentemente, estudos experimentais, ensaios pré-clínicos e ensaios clínicos têm vindo a comprovar o potencial terapêutico das células estaminais mesenquimatosas da polpa dentária (DPSCs). Atualmente estas células estão a ser sujeitas a ensaios clínicos para mais de 300 patologias diferentes incluindo a paralisia cerebral, autismo, reparação da córnea, tratamento da diabetes tipo 1, doença de Crohn, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, lesões da medula espinhal, doença do enxerto contra hospedeiro, engenharia de tecidos, cicatrização de feridas, regeneração de osso e dentes. Para mais esclarecimentos pode consultar o site https://www.clinicaltrials.gov/, onde poderá ter acesso aos ensaios clínicos a decorrer mundialmente.

A Biosckin, SA e inúmeras empresas de biotecnologia em todo o mundo preservam a polpa dentária, por ser um tecido extremamente rico DPSCs.

30 anos de criopreservação

De forma semelhante às empresas de armazenamento de sangue e tecido do cordão umbilical, um biobanco de polpa dentária para obtenção de DPSCs envolve a colheita de amostras, o processamento e o armazenamento a longo prazo (atualmente até um período máximo de 30 anos), recorrendo a equipamentos e procedimentos laboratoriais semelhantes, com o mesmo rigor e exigência em termos regulamentares.

Atualmente, em todo o mundo, existem dezenas de empresas de biotecnologia que criopreservam a polpa dentária de dentes de leite e definitivos, para obtenção de DPSCs num futuro próximo. Existem laboratórios acreditados e certificados nos Estados Unidos da América, Austrália, América do Sul e Ásia. Na Europa, apenas em Inglaterra e agora em pela primeira vez em Portugal com o serviço CRIODENTE.

Claramente, a criopreservação da polpa dentária e das DPSCs está em expansão, cada vez apresentado maior popularidade e com maior representatividade no mercado da Biotecnologia e Medicina Regenerativa. Inúmeras amostras encontram-se criopreservadas em todo o mundo, em biobancos.

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